Tecnologias que uso – A gênesis
Comecei a me enfiar no mundo da informática por volta de 1992 (baseado em algumas interpolações como corridas do Senna e o fato de eu comprar pão com notas de Cruzeiro). Comecei com um IBM PC-AT, que sequer disco rígido ou sistema operacional tinha. Não lembro de ter feito algo de útil nesse computador, no máximo jogar Pacman ou brincar com o editor de texto (Lotus?). Infelizmente este não durou muito na minha mão, e hoje não me resta sequer o gabinete.
Logo em seguida comecei a usar um poderosíssimo IBM 286, equipado com um disco rígido de 250MB e rodando o fantástico MS-DOS 6.22. Hoje em dia não uso mais os sistemas da Microssoft, mas devo muito do meu aprendizado ao MS-DOS. Escrever arquivos de lote (.bat, lembra?) era comigo mesmo. Formatar disquete, jogar Prince Of Persia, brincar no Star Print… como eu me divertia com um computador que sem internet, ou melhor, sem interface gráfica! Enfim, o computador era aquilo, e ponto final. Minha maior decepção com aquele 286 foi quando descobri que não poderia rodar o jogo da Tv Colosso (lembra? Priscila, capaxão, Jota Efe…). O motivo? precisava de uma placa gráfica e um mouse (sim, eu nunca havia usado mouse até então).
Bem, o próximo passo foi um computador que marcou época para mim: UIS-PC 486 (UIS era uma cópia dos IBM PC, assim como muitos outros). Enfim eu estava alinhado ao topo da tecnologia (pelo menos a disponível no Brasil). Era um computador com 16MB de memória RAM e, pirem, 900MB de disco rígido!! Imagina lotar 900MB numa época em que os Sistemas Operacionais eram vendidos em disquetes e internet era algo que vc leu numa revista, e que, um dia, vc vai pra Fenasoft ver como funciona!
Com esse 486, além de finalmente conseguir jogar Tv Colosso e ver pela primeira vez uma interface colorida, eu vi algo que me deixou maravilhado. Esse algo atendia pelo nome de Windows 3.10, e era a maior maravilha que eu já havia visto até então! Paintbrush, navegador de diretórios gráfico (sim, diretórios, o termo pasta só viria com o Windows 95), joguinhos como Sokoban, Duke Nuken, DOOM, Prince of Persia (dessa vez colorido) entre outros.
Foi nessa época que eu frequentei meu primeiro curso de informática, [re]aprendi a usar o DOS (já era tão íntimo, que omitia metade do nome), usar o edit, mudar o prompt de comandos. Conheci lá o Excel, o Access, Label, vi uma impressora colorida (HP580c), descobri que não precisaria de um Zip Drive para transferir um arquivo maior que 1,4MB (usando compactação fracionada), dentre outras coisas. Hoje quase extintos, os cursos de informática no começo da década de 90 eram um frenesi sem tamanho. “Se você não faz um curso de inglês e um de informática, você é analfabeto”, diziam então. Conheci pessoas que foram influentes na minha escolha pela informática. Enfim, estava definitivamente no trilho da Informação Automática.
O 486 me trouxe para um mundo que era totalmente novo, mas isso não chegava nem perto da maior descoberta da minha vida geek até então (estavamos aí por volta de 1995). Em um dia de estudo na biblioteca municiapl da minha cidade (não, não haviam PCs lá em 1995), eu me deparei com um livro de eletricidade voltado para o público infantil. Lei de Ohm, circuito de chave e lâmpada, resistor, etc.. Sempre tive uma atração por ciências, principalmente eletrônica, mas foi algo no fim do livro que me chamou a atenção: uma série de comandos que pareciam uma receita de como calcular a corrente em cima de um resistor. Algumas palavras eram conhecidas por mim (DO, PRINT, IF…). Nunca havia visto programação aantes, no máximo scripts de lote no DOS, mas eu não tive dúvida, sabia que aquilo era UM PROGRAMA DE COMPUTADOR!!!
Procurei ajuda pra saber como colocar aquilo para funcionar (acredite, em 1995 e morando numa cidade de 8 mil habitantes, foi um parto conseguir alguém que pudesse me dar um norte). Enfim, um conhecido do meu professor de informática me apresentou um ‘programinha’ muito parecido com o Edit, mas que tinha a fonte de outra cor. Esse programa era o QBasic, que vinha junto ao MS-DOS. Enfim eu era apresentado ao meu primeiro compilador e à minha primeira linguagem de programação. Daí pra frente, tudo que eu aprendia de matemática virava programa de computador. Fórmula de Báskhara, regra de três, cálculo do IMC… Tudo virava ‘software’.
Depois desse 486 eu tive alguns outros computadores (duron, atlon…). Hoje uso um vaio de 2006, mas que rodando um bom Arch Linux deixa muitos Quad Core no chinelo. Tenho um celular hoje com muito mais capacidade de processamento que aquele meu 486, e com mais que o dobro de capacidade de armazenamento, mas pra mim aquele 486 foi um marco, algo que mudou minha vida, sem demagogia ou pieguisse.
Desde aquele programa em Basic pra calcular a corrente em um resistor tive contato com muitas outras linguagens de programação e script (C, assembly, Java Script, C++, Java, Visual Basic, Python, Ada, e até Fortran, que comecei a estudar exatamente hoje). Mas mesmo não escrevendo mais nada nessa linguagem, Basic é uma das minhas favoritas. Não pela capacidade, mas sim por gratidão.
E assim se constrói um programador, com curiosidade e vontade de aprender. Daí pra encarar a engenharia foi um pulo, mas muita coisa interessante acontecendo.
Mas como agora tenho internet para pesquisar, e uma boa GUI para fazer um front-end, deixe-me voltar ao trabalho, porque muita linha de código há de passar pelo compilador ainda…


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